Amor vivo

Antero de Quental (1842–1891)

Amar! mas d'um amor que tenha vida...Não sejam sempre tímidos harpejos,Não sejam só delirios e desejosD'uma douda cabeça escandecida...

Amor que vive e brilhe! luz fundidaQue penetre o meu ser — e não só beijosDados no ar — delírios e desejos —Mas amor... dos amores que têm vida...

Sim, vivo e quente! e já a luz do diaNão virá dissipa-lo nos meus braçosComo névoa da vaga fantasia...

Nem murchará do sol á chama erguida...Pois que podem os astros dos espaçosContra débeis amores... se têm vida?