Despondency

Antero de Quental (1842–1891)

Primaveras romanticas (1872) — Poesias diversas

Deixal-a ir, a ave, a quem roubaramNinho e filhos e tudo, sem piedade...Que a leve o ar sem fim da soledadeOnde as azas partidas a levaram...

Deixal-a ir, a vella, que arrojaramOs tufões pelo mar, na escuridade,Quando a noite surgiu da immensidade,Quando os ventos do Sul se levantaram...

Deixal-a ir, a alma lastimosa,Que perdeu fé e paz e confiança,Á morte queda, á morte silenciosa...

Deixal-a ir, a nota desprendidaD’um canto extremo... e a ultima esperança...E a vida... e o amor... deixal-a ir, a vida!