Divina Comedia
Sonetos
Erguendo os braços para o ceu distanteE invectivando os deuses invisiveis,Os homens clamam: — «Deuses impassiveis,A quem serve o destino triumphante,
Porque é que nos creastes?! IncessanteCorre o tempo e só gera, inextinguiveis,Dôr, peccado, illusão, luctas horriveis,Num turbilhão cruel e delirante...
Pois não era melhor na paz clementeDo nada e do que ainda não existe,Ter ficado a dormir eternamente?
Porque é que para a dôr nos evocastes?»Mas os deuses, com voz ainda mais triste,Dizem: — «Homens! porque é que nos creastes?»