Ignotus

Antero de Quental (1842–1891)

Sonetos

Onde te escondes? Eis que em vão clamamos,Suspirando e erguendo as mãos em vão!Já a voz enrouquece e o coraçãoEstá cançado — e já desesperamos...

Por ceu, por mar e terras procuramosO Espirito que enche a solidão,E só a propria voz na immensidãoFatigada nos volve... e não te achamos!

Ceus e terra, clamai, aonde? aonde? —Mas o Espirito antigo só responde,Em tom de grande tedio e de pezar:

— Não vos queixeis, ó filhos da anciedade,Que eu mesmo, desde toda a eternidade,Tambem me busco a mim... sem me encontrar!