Quia æternus
Sonetos
Não morreste, por mais que o brade á genteUma orgulhosa e van philosophia...Não se sacode assim tão facilmenteO jugo da divina tyrania!
Clamam em vão, e esse triunfo ingenteCom que a Razão — coitada! — se inebria,É nova forma, apenas, mais pungente,Da tua eterna, tragica ironia.
Não, não morreste, espectro! o PensamentoComo dantes te encara, e és o tormentoDe quantos sobre os livros desfalecem.
E os que folgam na orgia impia e devassaAi! quantas vezes, ao erguer a taça,Param, e estremecendo, impalidecem!