O Morto prazenteiro
Translated from French by Delfim Guimarães
Flores do Mal
Onde haja carações, n’um fecundo torrão,Uma grandiosa cova eu mesmo quero abrir,Onde repouse em paz, onde possa dormir,Como dorme no oceano o livre tubarãoDetesto os mausoleus, odeio os monumentos,E, a ter de suplicar as lágrimas do mundo,Prefiro oferecer o meu carcaz imundo,Qual precioso manjar, aos corvos agoirentos.
Verme, larva brutal, tenebroso mineiro,Vae entregar-se a vós um morto prazenteiro,Que livremente busca a treva, a podridão!Sem piedade, minae a minha carne impura,E dizei-me depois se existe uma torturaQue não tenha sofrido este meu coração!