Semper eadem
Translated from French by Delfim Guimarães
Flores do Mal
Perguntas a razão da tristeza que anima,Como um revolto mar, meu peito combalido!— Quando no coração se faz uma vindima,Vivermos é um mal! O segredo é sabido:É uma dor vulgar, nada misteriosa,E, como o teu sorrir, toda a gente a conhece.Não me interrogues, pois, risonha curiosa!Embora a tua voz seja meiga, emudece!
Cala-te, ó ignorante! alma sempre aturdida!Linda bôca infantil!... Como hei de amar a Vida,Quando na Morte vejo o fim dos meus abrolhos?!Deixa meu coração viver como encantado!N’um sonho mergulhar no teu rosto adorado,E extinguir-se, dormindo, a sombra dos teus olhos!