Entre Chamas...

João da Cruz e Sousa (1861–1898)

Sonhei que de astros no Infinito presaVagavas, brandamente adormecida,Nas chamas siderais resplandecida,A carne, em chamas, no Infinito, acesa...

E eu pasmava de encanto e de surpresaVendo a constelação indefinidaDa tua carne flamejando vida,Dentre os íris radiantes da beleza...

E o teu corpo, nas chamas palpitando,Os astros em redor maravilhando,Por entre a auréola dos clarões cantava...

Então, de sonho em sonho, absorto, mudo,Eu senti alastrar, vibrar por tudoToda a infinita sensação da lava!...