O Chalé

João da Cruz e Sousa (1861–1898)

É um chalé luzido e aristocrático,De fulgurantes, ricos arabescos,Janelas livres para os ares frescos,Galante, raro, encantador, simpático.

O sol que vibra em rubro tom prismático,No resplendor dos luxos principescos,Dá-lhe uns alegres tiques romanescos,Um colorido ideal silforimático.

Há um jardim de rosas singulares,Lírios joviais e rosas não vulgares,Brancas e azuis e roxas purpúreas.

E a luz do luar caindo em brilhos vagos,Na placidez de adormecidos lagosAbre esquisitas radiações sulfúreas.