Ser dos Seres

João da Cruz e Sousa (1861–1898)

No teu ser de silêncio e d'esperançaA doce luz das Amplidões flameja.Ele sente, ele aspira, ele desejaA grande zona da imortal Bonança.

Pelos largos espaços se balançaComo a estrela infinita que dardeja,Sempre isento da Treva que trovejaO clamor inflamado da Vingança.

Por entre enlevos e deslumbramentosEntra na Força astral dos SentimentosE do Poder nos mágicos poderes.

E traz, embora os íntimos cansaços,Ânsias secretas para abrir os braçosNa generosa comunhão dos Seres!