Triunfo supremo

João da Cruz e Sousa (1861–1898)

Quem anda pelas lágrimas perdido,Sonâmbulo dos trágicoa flagelos,É quem deixou para sempre esquecidoO mundo e os fúteis ouropéis mais belos!

É quem ficou no mundo redimido,Expurgado dos vícios mais singelosE disse a tudo o adeus indefinidoE desprendeu-se dos carnais anelos!

É quem entrou por todas as batalhasAs mãos e os pés e o flanco ensangüentado,Amortalhado em todas as mortalhas.

Quem florestas e mares foi rasgandoE entre raios, pedradas e metralhas,Ficou gemendo mas ficou sonhando!