Vi-te crescer!

João da Cruz e Sousa (1861–1898)

Vi-te crescer! tu eras a criançaMais linda, mais gentil, mais delicada:Tinhas no rosto as cores da alvoradaE o sol disperso pela loira trança.

Asas tinhas também, as da esperança...E de tal sorte eras sutil e aladaQue parecias ave arrebatadaNa luz do Espaço onde a razão descansa!

Depois, então, fizeste-te menina,Visão de amor, puríssima, divina,Perante a qual ainda hoje me ajoelho.

Cresceste mais! És bela e moça agora...Mas eu, que acompanhei toda essa aurora,Sinto bem quanto estou ficando velho.