A um moribundo
Não tenhas medo, não! Tranqüilamente,Como adormece a noite pelo Outono,Fecha os teus olhos, simples, docemente,Como, à tarde, uma pomba que tem sono...
A cabeça reclina levementeE os braços deixa-os ir ao abandono,Como tombam, arfando, ao sol poente,As asas de uma pomba que tem sono...
O que há depois? Depois?... O azul dos céus?Um outro mundo? O eterno nada? Deus?Um abismo? Um castigo? Uma guarida?
Que importa? Que te importa, ó moribundo?- Seja o que for, será melhor que o mundo!Tudo será melhor do que esta vida!...