As Minhas Ilusões

Florbela Espanca (1894–1930)

Hora sagrada dum entardecerDe Outono, à beira-mar, cor de safira,Soa no ar uma invisível lira...O sol é um doente a enlanguescer...

A vaga estende os braços a suster,Numa dor de revolta cheia de ira,A doirada cabeça que deliraNum último suspiro, a estremecer!

O sol morreu... e veste luto o mar...E eu vejo a urna d’oiro, a baloiçar,À flor das ondas, num lençol d’espuma!

As minhas Ilusões, doce tesoiro,Também as vi levar em urna d’oiro,No mar da Vida, assim... uma por uma...