Frieza

Florbela Espanca (1894–1930)

Os teus olhos são frios como as espadas,E claros como os trágicos punhais,Têm brilhos cortantes de metaisE fulgores de lâminas geladas.

Vejo neles imagens retratadasDe abandonos cruéis e desleais,Fantásticos desejos irreais,E todo o oiro e o sol das madrugadas!

Mas não te invejo, Amor, essa indif'rença,Que viver neste mundo sem amarÉ pior que ser cego de nascença!

Tu invejas a dor que vive em mim!E quanta vez dirás a soluçar:"Ah, quem me dera, Irmã, amar assim!...