He hum não querer mais que bem querer; (Camões) V
Dize-me, Amor, como te sou querida,Conta-me a glória do teu sonho eleito,Aninha-me a sorrir junto ao teu peito,Arranca-me dos pântanos da vida.
Embriagada numa estranha lida,Trago nas mãos o coração desfeito,Mostra-me a luz, ensina-me o preceitoQue me salve e levante redimida!
Nesta negra cisterna em que me afundo.Sem quimeras, sem crenças, sem ternura,Agonia sem fé dum moribundo,
Grito o teu nome numa sede estranha,Como se fosse, Amor, toda a frescuraDas cristalinas águas da montanha!