Epicédio (Luís Delfino)
A M.
Santificou-te a tua vida inteiraCo´uma lágrima doce e cristalina:Sinto que a tua sepultura cheiraA quanto vem dessa mulher divina.
Deu-te tudo na hora derradeira,O que alma pede, quer, busca, imagina:O perfume das rosas da balseira,Regadas pela mão que nos fascina.
Ai! invejei-te! — E que fazer? se é beloSaber que os duros golpes do martelo,Dados sobre o caixão que o morto encerra,
Não enchem só dos ecos seus a cova,E que a vida nos fica, e se renovaNa mágoa dos que amamos sobre a terra!