Epicédio (Luís Delfino)

Luís Delfino (1834–1910)

A M.

Santificou-te a tua vida inteiraCo´uma lágrima doce e cristalina:Sinto que a tua sepultura cheiraA quanto vem dessa mulher divina.

Deu-te tudo na hora derradeira,O que alma pede, quer, busca, imagina:O perfume das rosas da balseira,Regadas pela mão que nos fascina.

Ai! invejei-te! — E que fazer? se é beloSaber que os duros golpes do martelo,Dados sobre o caixão que o morto encerra,

Não enchem só dos ecos seus a cova,E que a vida nos fica, e se renovaNa mágoa dos que amamos sobre a terra!