À catedral
Rola cadentemente ao céu o monolito,Amontoa-se, vai, sobe, e espalma-se ao lume,E apanha pelos céus aterrados o nume,Que prende no seu antro enorme de granito.
Amarraram-no ali: ali mora o infinitoEncadeado ao cinzel do artista, que o resume:Tudo é mármore jônio, oriental perfume:No meio de clarões coalhou aquele grito.
A alma humana assim dobra as grandes asas largas,Bebe em cálix doirado as bebidas amargas,Que envolvem a razão em crespos aranhóis.
Deus não enche a amplidão das catedrais escuras;Deus andará por alto, em regiões mais puras:Anda noutro universo, anda por outros sóis.