A forja

Luís Delfino (1834–1910)

A Fontoura Xavier

Um só ponto esburaca o manto à escuridão;Uma fagulha ainda em cinza e no repouso,Como uma estrela branca em fundo vaporoso,Perdida em noite calma, além pela amplidão.

O fole ronca e sopra em torno um furacão:Revoluteia a cinza, e o ponto duvidosoRoja da boca enorme um mundo luminoso,Que gira, como sangue, em rubra inundação.

Surgem daqui, dali, nas panóplias, — figuras,Que parecem rolar astros das cataduras,Batendo e rebatendo o ferro sem parar.

E forjam gravemente os trilhos das estradas,As algemas dos reis, as folhas das espadas,E o punhal que há de um dia um Bruto manejar.