Horizontes ao longe

Luís Delfino (1834–1910)

Quem sabe se não stás ouvindo em meu semblanteCantar o rouxinol, que só de tarde canta?Quem sabe o que estás vendo em mim e o que te espanta?Há muito mortos sóis sobre nós neste instante.

Mas se souberas tu o que estou vendo adianteDe mim, no rosto teu de palidez de santa!...Ninho vazio da beleza ingênua e infante,Quanta diferença em ti dos tempos idos... quanta!...

Horizontes ao longe... e ainda aí perto, suponho-os.Tu eras loura e criança e andavas no colégio:Dias de raios de oiro, e eternos céus risonhos!...

Como inclinavas séria em mim teu corpo régio,Só para ouvir passar por cima dos meus sonhosAs Venezas de Cardi e os anjos de Correggio...