Niobe
Via-a sempre. — Era um anjo fulminado,Ou num longínquo exílio uma princesa;E seu rosto comprido e desmaiadoCobria o véu duma mortal tristeza.
No velho e nobre busto esculturadoGuardava o traço augusto da beleza,No olhar de aço brilhante a chama acesa,E o lábio, aos cantos, com desdém tirado.
Nas magras mãos, nos longos dedos tinhaVeias grossas, azuis; o andar sereno:Do tronco um pouco já quebrada a linha.
O pé, calçado com primor, pequeno;Boa, com graves gestos de rainha,Que não quer mais reinar, nem quer mais reino...