A Engeitada

Maria Adelaide Fernandes Prata (1822–1881)

Poesias offerecidas ás senhoras Portuenses

No Mundo isolada, eu vivo chorando!Parentes não tenho, não tenho um amigo!Sou pobre, e não tenho quem riso, ou dorReparta commigo!..

Caricias de Mãe, nunca esp'rimentei,E o doce nome d'um querido Irmão,N'esses folguedos d'infancia a sorrir,Ah! Nunca ouvi, não!

E no Universo sem guia passando,Lá n'essa idade d'amor, d'illusão,E sem que as traições soubesse do mundoO meu coração!

Cedi ás meiguices d'um pérfido amante!..Depois abandono, saudades e dôrFicárão á triste, que ao Mundo os seus olhosErgue com horror!..