A Nize 2

Maria Adelaide Fernandes Prata (1822–1881)

Poesias offerecidas ás senhoras Portuenses

Penso em ti, mal que desperto,Penso até ir repousar;Penso em ti, mesmo dormindo,Comtigo sempre a sonhar.

Ausente de ti, meu bem,Como é penoso viver!A dôr, que eu sinto nest'alma AE' dificil descrever!

Raia o dia, e sem venturaVejo a noute aproximar,Sem que o remedio eu encontrePara a saudade abrandar.

Aborreço a companhia,Só me agrada a solidão,Melancolicas imagensBusca só meu coração;

Que possa inspirar-me int'resse,Nada off'rece a natureza;Nem ha encantos que seduzamA quem viu tua belleza!

Este amor tão puro, e forte,Que por ti senti, ó Nize!Será pois correspondido?Amas-me tu inda? - dize?..

E quem sabe?... O tempo, a ausencia,Do teu amor, que fariam !...Ah! dize, dize-me breveSe teu peito mudariam?..

Sim, dize, quero sabel-o,Saber qual é minha sorte;Se me ámas, quero a vida,Se m'esquecestes... a morte!..