Caos

Olavo Bilac (1865–1918)

No fundo do meu ser, ouço e suspeitoUm pélago em suspiros e rajadas:Milhões de vivas almas sepultadas,Cidades submergidas no meu peito.

As vezes, um torpor de águas paradas...Mas, de repente, um temporal desfeito:Festa, agonia, júbilo, despeito,Clamor de sinos, retintim de espadas,

Procissões e motins, glórias e luto,Choro e hosana... Ferver de sangue novo,Fermentação de um mundo agreste e bruto...

E há na esperança, de que me comovo,E na grita de dúvidas, que escuto,A incerteza e a alvorada do meu povo!