Hércules

Olavo Bilac (1865–1918)

Que vale o orgulho? A dor é, como a vida, eterna;Mas a força defende, e a compaixão redime.Sou, na humana floresta a planta heróica e terna:Contra a violência um roble, e pura a prece um vime.

Por onde reviveu, silvando, a hidra de Lema,Fuzilou no meu braço a cólera sublime;Os monstros persegui de caverna em caverna,Sufoquei de antro em antro a peste, a infâmia e o crime:

E, ó Homem, libertei-te!... E, enfim, depondo a clava,Inerme semideus, sonhei, doce fiandeiro,De roca e fuso, aos pés de Onfália, num arrulho...

Alma livre no assomo, e na piedade escrava,Sou raio e beijo, ardor e alívio, águia e cordeiro,- A força que liberta, e o amor que vence o orgulho!