Inania Verba
Ah! quem há de exprimir, alma impotente e escrava,O que a boca não diz, o que a mão não escreve?- Ardes, sangras, pregada a' tua cruz, e, em breve,Olhas, desfeito em lodo, o que te deslumbrava...
O Pensamento ferve, e é um turbilhão de lava:A Forma, fria e espessa, é um sepulcro de neve...E a Palavra pesada abafa a Idéia leve,Que, perfume e dano, refulgia e voava.
Quem o molde achará para a expressão de tudo?Ai! quem há de dizer as ânsias infinitasDo sonho? e o céu que foge à mão que se levanta?
E a ira muda? e o asco mudo? e o desespero mudo?E as palavras de fé que nunca foram ditas?E as confissões de amor que morrem na garganta?!