Sonho (II)

Olavo Bilac (1865–1918)

Ter nascido homem outro, em outros dias,- Não hoje, nesta agitação sem glória,Em traficâncias e mesquinharias,Numa apagada vida merencória...

Ter nascido numa era de utopias,Nos áureos ciclos épicos da História,Ardendo em generosas fantasias,Em rajadas de amor e de vitória:

Campeão e trovador da Idade Média,Herói no galanteio e na cruzada,Viver entre um idílio e uma tragédia;

E morrer em sorrisos e lampejos,Por um gesto, um olhar, um sonho, um nada,Traspassado de golpes e de beijos!