Por que descrês, mulher, do amor, da vida?
Porque descrês, mulher, do amor, da vida?Porque esse Hermon transformas em Calvario?Porque deixas que, aos poucos, do sudarioTe aperte o seio a dobra humedecida?
Que visão te fugio, que assim perdidaBuscas em vão n'este ermo solitario?Que signo obscuro de cruel fadarioTe faz trazer a fronte ao chão pendida?
Nenhum! intacto o bem em ti assiste:Deus, em penhor, te deu a formosura;Bençãos te manda o céo em cada hora.
E descrês do viver?... E eu, pobre e triste,Que só no teu olhar leio a ventura,Se tu descrês, em que hei-de eu crer agora?