Das Unnennbare

Antero de Quental (1842–1891)

Primaveras romanticas (1872) — Poesias diversas

Ó chimera, que passas embaladaNa onda de meus sonhos dolorosos,E róças c’os vestidos vaporososA minha fronte pallida e cançada!

Leva-te o ar da noite socegada...Pergunto em vão, com olhos anciosos,Que nome é que te dão os venturososNo teu paiz, mysteriosa fada!

Mas que destino o meu! e que luz baçaA d’esta aurora, igual á do sol posto,Onde só nuvem pallida esvoaça!

Que nem a noite uma illusão consinta!Que só de longe e em sonhos te presinta...E nem em sonhos possa vêr-te o rosto!