Sempre o futuro, sempre! e o presente

Antero de Quental (1842–1891)

Sempre o futuro, sempre! e o presenteNunca! Que seja esta hora em que se existeDe incerteza e de dor sempre a mais triste,E só farte o desejo um bem ausente!

Ai! que importa o futuro, se inclementeEssa hora, em que a esperança nos consiste,Chega... é presente... e só á dor assiste?...Assim, qual é a esperança que não mente?

Desventura ou delirio?... O que procuro,Se me foge, é miragem enganosa,Se me espera, peor, espectro impuro...

Assim a vida passa vagarosa:O presente, a aspirar sempre ao futuro:O futuro, uma sombra mentirosa.