No retiro de Belem
No retiro de Belem,Casa de campo real,Hoje o Principe Divino,Hum jardim de flores faz.
Hum laberinto de glorias,Aqui se vè num portal,Donde naõ sabe sahir,Aquelle que chega a entrar.
No Meyo estaõ do Jardim,Duas fontes de cristal,Cuja Mãy de agoa fechada,He a pura Virgem Mãy.
De hum satiro que he o peccado,Invençaõ de aljofar sae,Que a hum Minino de alabastro,Faz este monstro chorar.
Em hum enbrechado que o tempo,Nas eras formando està,Hum amor se vè ao vivo,Inda que feito ao mortal.
Aly està hum grande lago,Que ninguem pòde sondar,Onde as Angelicas Aves,Fazem Choro Celestial.
A verdade està despida,Retratada ao natural,E em hũa mesma figura,Se vè a Justiça, & a paz.
A belleza de hũa Virgem,Faz hum fermoso rozal,E os espinhos que lhe faltaõ,O cravo lhos quis tomar.
As flores por infinitas,Naõ se podem numerar,Vertendo sangue està o Cravo,O Jasmim cegando vay.
Saõ sem conto as maravilhas,As Angelicas sem par,O Amor perfeito sem preço,A Perpetua sem igual.
A naturesa he a salva,As chagas amor as traz,Que de muitos mal me queres,Se vem ellas a formar.
Aqui se vem tres figuras,De tres Reyes Orientaes,Que o Senhor deste jardimFabricou pelo adornar.
Hum he de porfido negro,Outro de fino metal,Outro de Cedro incurrupto,Pelos olores que dà.
A este Jardim de dilicias,Almas todas caminhay,A colher flores da gloria,Que vivem sem se murchar.
Estribillo.
Quem quizer colher flores,A Belem parta.Que hum Minino de amores,Todas retrata.Jesus que favor!Que o minino de flores,He a mesma flor.
Coplas.
A colher estas flores,A Belem vamos,Que o Minino que nace,He a flor do campo.
Todo he feito de flores,Este Minino,E serà brevemente,Flor dos martyrios.
Seus crespinhos cabellos,Junquilhos de ouro,Junto as fontes de prata,Lhe nacem todos.
Sempre he pura, & nevada,A limpa testa,Sobre dous olhos de agoa,Branca açusena.
De seus olhos Divinos,Saõ as mininas,Com rocios de aljofar,As maravilhas.
He o naris, destas flores,Qual ramalhete,Canutilho de prata,A que se prendem.
De carmin he a boquinha,E os dentes brancos,Como em perolas da Alva,Cravo encarnado.
Duas Rozas as faces,Se hoje de nacar,Ande ser algum tempo,Bem violadas.
Na garganta que as veas,Azuis diviza,Forma o azul, & o nevado,As campaynhas.
Em as maõs generosas,Brancas, & bellas,Jà os cravos abertos,Tem as maõs cheas.
Tem os pès piquininos,Bem divididas,Como jasmins de neve,Sinco folhinhas.
Estas flores se colhem,Em Belem todas,Com que amor tece as palmas,E faz as Coroas.
Estribillo.
Quem quizer colher flores,A Belem parta.Que hum Minino de amores,Todas retrata.Jesus que favor!Que o minino de flores,He a mesma flor.
No retiro de BelemCaza de campo real,Hoje o Principe DivinoHum jardim de flores faz.
Hum laberinto de flores,Aqui se vè num Portal,Donde naõ sabe sahirAquelle que soube entrar.
No meyo deste JardimHa humas fontes de cristal,Cuja Mãy de agoa fechada,He a pura Virgem Mãy.
De hum satyro, que he o peccadoInvençaõ de aljofar sae,Que a hum Minino de alabastroFaz este monstro chorar.
Em hum embrechado, que o tempoNas eras formando està,Hum Amor se vè ao vivo,Inda que feyto ao mortal.
A Bellesa de huma VirgemFaz hum fermoso rosal,E os espinhos, que lhe faltaõO Cravo veyo a tomar.
As flores saõ infinitas,As Angelicas sem par,O Amor perfeyto hum feitiço,A perpetua celestial.
A natureza he a salva,As chagas Amor as traz,Que de muytos malmequeresSe vem ellas a formar.
Aqui se vem tres figurasDe tres Reyes Orientaes,Que o Senhor deste jardimMandou trazer de Sabà.
Hum he de porfido negro,Outro de rico metal.De calambuco o terceiroPelas fragrancias que dà.
O que aqui ha mais que verE que mais que tudo val,He hum Minino de floresQue hoje Amor quiz encarnar.
A velo, almas, curiosas,Voae, correy, caminhae,Achareis hum ParaizoMelhor do que o terreal.
Estribillo.
Quem quiser colher floresA Belem parta,Que o Minino de amores,Todas retrata.Ay Jesus, que favor!Que o Minino de flores,He a mesma flor.
Coplas.
A colher estas floresA Belem vamos,Que o Minino que nace,He flor do campo.
Todo he feyto de floresEste Minino,E serà brevementeFlor dos martyrios.
Seus crespinhos cabellosJunquilhos lourosSobre as fontes de prataParecem ouro.
Toda he pura & nevadaA branca testa,Juntos a dous olhos de agoaClara açucena.
De seus olhos divinosSaõ as mininasCom os rocios de aljofarAs maravilhas.
He o nariz destas floresLindo & decenteCanutilho de prataCom que se prendem.
Duas rozas as faces,Se hoje de nacar.Ande ser algum diaBem violadas.
Saõ duas clavelinasA breve boca,Se ri a caso seus dentesAljofar mostra.
Na garganta que as veasAzuis devisaForma o azul, & o nevadoAs campainhas.
Saõ as mãos generosasLargas, & bellasDesta floresta as palmasQue atè o Ceo chegaõ.
Tem os pès pequininosBem divididas,Como jasmins nevadosSinco folhinhas.
Estas flores se colhemEm Belem todas,Com que amor tece as palmas,Para as Coroas.