Da Lama ao Astro
Traducido del francés por Delfim Guimarães
Flores do Mal
Junto d’uma judia horrível, no seu leito,— Dois cadáver’s a par na mesma sepulturaCerta noite, pensei, ao encarar a impura,Na soberba mulher por que anceia meu peito:Seu corpo modelar, de majestoso aspeito,Os seus olhos leaes a distilar doçura,O capitoso olor da cabeleira escura,Todas as perfeições do seu todo perfeito!
Com fervor vestiria esse corpo divino,Desde os mimosos pés ao cabelo em aneis,Com meus beijos febris, ó bloco marmorino,Se uma noite, a chorar por quaesquer ninharias,Pudesses conseguir, rainha das crueis,Atenuar a luz d’essas pupilas frias!