Elevação
Traducido del francés por Delfim Guimarães
Flores do Mal
Por cima dos paúes, das montanhas agrestes,Dos rudes alcantis, das núvens e do mar,Muito acima do sol, muito acima do ar,Para alem do confim dos páramos celestes,Paira o espírito meu com toda a agilidade,Como um bom nadador que na ágoa sente goso,As penas a agitar, gazil, voluptuoso,Através das regiões da etérea imensidade.
Eleva o vôo teu longe das montureiras,Vae-te purificar no éter superior,E bebe, como um puro e sagrado licor,A alvinitente luz das límpidas clareiras!Neste bisonho val de mágoas horrorosas,Em que o fastio e a dor perseguem o mortal,Feliz de quem puder, n’uma ascensão ideal,Atingir as mansões ridentes, luminosas!De quem, pela manhan, andorinha veloz,Aos domínios do ceu o pensamento erguer,— Que paire sobre a vida, e saiba compreenderA lingoágem da flor e das cousas sem voz!