O Endemoninhado

Charles Baudelaire (1821–1867)

Traducido del francés por Delfim Guimarães

Flores do Mal

Cobriu um véu o Sol. Lua da minha vida,Faze o mesmo tambem, veste um roupão de luto;Não fales, por quem és! dorme ou fuma um charuto;Esconde o teu sorrir, mostra-te aborrecida;Gósto de ti assim! Mas se queres, louquinha,Como um astro que deixa a treva acostumada,Hoje ir resplandecer na alacre mascarada,Bem ’stá! Lindo punhal, sae da tua bainha!

Transforma o teu olhar em brilhantes candis!Faz’render a teus pés milhares de imbecis!Embriaga-te a valsar, desvenda o corpo nu!...Faças quanto fizer’s, noite negra ou aurora,Só me darás prazer!... Todo o meu ser peróra,No fogo da paixão: — Amo-te, Belzebu!