Suprema Beleza

Charles Baudelaire (1821–1867)

Traducido del francés por Delfim Guimarães

Flores do Mal

Suprema BelezaQue dirás esta noite, ó pobre alma exilada,Que dirás, coração, outrora na agonia,Á formosa mulher, bondosa e muito amada,Cujo celeste olhar é o sol que te alumia?— Havemos de cantar, em psalmos gloriosos,A doçura que existe em seu férreo domínio,Seu corpo escultural, seus cabelos formosos,E a luz do seu olhar ardente e velutíneo!

Quer seja pela noite, em plena solidão,Quer seja pela rua, em plena multidão,Como um archote a arder, seu vulto surje e encanta.Ás vezes fala e diz: — «Sou bela, e vós haveis«De por amor de mim ao Belo ser fieis;«Sou o Anjo da guarda, a Musa, a Virgem santa!»