25 de Março

João da Cruz e Sousa (1861–1898)

Bem como uma cabeça inteiramente nuaDe sonhos e pensar, de arroubos e de luzes,O sol de surpreso esconde-se, recua,Na órbita traçada — de fogo dos obuses.

Da enérgica batalha estóica do DireitoDesaba a escravatura — a lei cujos fossosSe ergue a consciência — e a onda em mil destroçosResvala e tomba e cai o branco preconceito.

E o Novo Continente, ao largo e grande esforçoDe gerações de heróis — presentes pelo dorsoÀ rubra luz da glória — enquanto voa e zumbe.

O inseto do terror, a treva que amortalha,As lágrimas do Rei e os bravos da canalha,O velho escravagismo estéril que sucumbe.