Hóstias
A Emílio de Menezes
Nos arminhos das nuvens do infinitoVamos noivar por entre os esplendores,Como aves soltas em vergéis de flores,Ou penitentes de um estranho rito.
Que seja nosso amor — sidério mito! —O límpido turíbulo das dores,Derramando o incenso dos amoresPor sobre o humano coração aflito.
Como num templo, numa clara igreja,Que o sonho nupcial gozado seja,Que eu durma e sonhe nos teus níveos flancos.
Contigo aos astros fúlgidos alado,Que sejam hóstias para o meu noivadoAs flores virgens dos teus seios brancos!