Presa do ódio

João da Cruz e Sousa (1861–1898)

Da tu'alma na funda galeriaDescendo às vezes, eu às vezes sintoQue como o mais feroz lobo famintoTeu ódio baixo de alcatéia espia.

Do Desespero a noite cava e fria,De boêmias vis o pérfido absintoPôs no teu ser um negro labirinto,Desencadeou sinistra ventania.

Desencadeou a ventania rouca,surda, tremenda, desvairada, louca,Que a tu'alma abalou de lado a lado.

Que te infalamou de cóleras supremase deixou-te nas trágicas algemasDo teu ódio sangrento acorrentado!