Smorzando
O véu da tarde cai pelas quebradasDas serras altaneiras;As aves condoreirasRompem da mata em místicas risadasO largo espaço intérmino cindindo.
A livre natureza,Humildemente, pura, vai caindo,Caindo de joelhosComo esse denso véuCai na viril e rútila grandezaDo sol que desce em borbotões vermelhosComo uma mancha tropical no céu.
E vibra a Ave-MariaComo um soluço, estranho, indefinido;Talvez como um gemidoDentre a escalvada e agreste serrania.
E desce e desce e desceDe toda a imensidadeA salutar carícia de uma prece,O eflúvio da saudadeQue alaga o nosso peito heroicamenteComo o luar de um trenoMavioso e emoliente,Mais doce que o sorrir do Nazareno.