Supremo Anseio

João da Cruz e Sousa (1861–1898)

Esta profunda e intérmina esperançaNa qual eu tenho o espírito seguro,A tão profunda imensidade avançaComo é profunda a idéia do futuro.

Abre-se em mim esse clarão, mais puroQue o céu preclaro em matinal bonança:Esse clarão, em que eu melhor fulguro,Em que esta vida uma outra vida alcança.

Sim! Inda espero que no fim da estradaDesta existência de ilusões cravadaEu veja sempre refulgir bem perto

Esse clarão esplendoroso e louroDo amor de mãe — que é como um fruto de ouro,Da alma de um filho no eternal deserto.