Versos (Cruz e Sousa)
Bravo, prole benditaPois à glória infinitaO lutar vos conduz!É assim — trabalhandoSempre e sempre estudandoQue se alcança mais luz!
Contemplai estas floresEstes tantos lavoresContemplai o painel!Repetindo orgulhososEstes feitos briososSão dum belo pincel!
Eia, jovens, avante!Ser artista é brilhante,Trabalhar é uma lei!Não são só os c’roadosQue merecem em bradosTer as honras de rei!
O artista qu'é pobreÉ tão rico, é tão nobreQual potente césar!E a glória bem cedoLhe murmura o segredo— És artista — és sem par!
Não temais os pampeirosSois gentis brasileirosDeveis pois progredir!Quem vos traça na históriaVossa augusta memóriaÉ um deus — O Porvir!
Levantai-vos potentesAltanados, ingentesE fazei-vos Criseus!Só quem pode vergar-vosE pensar obumbrar-vosMais ninguém — é só Deus!
Não fiqueis ignavosQue o futuro dá bravosVos dizendo — estudai!Sois humanos — portantoSe há de trevas um mantoApressai-vos, rasgai!
Nossa pátria queridaNecessita mais vida,Necessita crescer!É preciso contudoQue tenhais como escudoQuem vos mostra o saber!
E de obreiros altivos,Que sereis redivivosQue sereis imortais,Achareis vossos nomesVossos grandes renomesNas mansões divinais!
Perdoai-me estas floresQue tão murchas, sem coresNada podem valer!São ofertas sincerasArrancadas deverasPara vir vos trazer!
Palinuros — à frenteEsse trilho é ridenteDás-vos honra, louvor!Quem o braço vos guiaNunca, nunca entibia —— É artista... e pintor!
É a vós a quem faloE se hoje eu não caloEstas vãs expressões!É que a louca alegriaEm minh'alma irradiaCom fulgentes clarões!
O trabalho enobreceGlorifica, engrandeceAos artistas quais vós!Que zombando da sorteTêm a tela por norteOs pincéis por faróis!
Eia! nessa carreiraQual a nau sobranceiraIndo o mar a fender!Quando há negros abrolhos,Mil cachopos, escolhosÉ mais belo o vencer!
Se o lutar é dos grandesQue são gêmeos dos AndesQue não sabem tombar!Colhereis uma glóriaMais suprema memória,Trabalhando, a lutar!
Deus, o Deus sublimadoDisse ao homem num brado,Da sidérea mansão!— Vai depressa arrimar-teAos arcanos da arte,Que terás um bordão!
Onde há braços d’artistaE seu ponto de vistaDecepar escarcéus!E seu gládio seguroVai cavar o futuroVai rasgar negros véus!
E lá quando os vindourosVos c'roarem de lourosVos erguerem docel!Bradarão altaneiros:— Exultai brasileiros,Ressurgiu Rafael!
Não temais os insanos,Insensatos humanosBajulantes e maus!Trabalhai muito embora!Há de vir uma auroraP’ra arrancá-los do caos!
Away, estudantesSois vergônteas pujantesA lauréis tendes jus!Caminhai com coragem,Qu’esta é a romagemDos apóstolos da luz!!!...