Vozinha

João da Cruz e Sousa (1861–1898)

Velha, velhinha, da doçura boaDe uma pomba nevada, etérea, mansa.Alma que se ilumina e se balançaDentre as redes da Fé que nos perdoa.

Cabeça branca de serena leoa,Carinho, amor, meiguice que não cansa,Coração nobre sempre como a lançaQue não vergue, não fira e que não doa.

Olhos e voz de castidades vivas,Pão ázimo das Páscoas afetivas,Simples, tranqüila, dadivosa, franca.

Morreu tal qual vivera, mansamente,Na alvura doce de uma luz algente,Como que morta de uma morte branca.