Amiga

Florbela Espanca (1894–1930)

Deixa-me ser a tua amiga, Amor,A tua amiga só, já que não queresQue pelo teu amor seja a melhor,A mais triste de todas as mulheres.

Que só, de ti, me venha mágoa e dorO que me importa a mim?! O que quiseresÉ sempre um sonho bom! Seja o que for,Bendito sejas tu por mo dizeres!

Beija-me as mãos, Amor, devagarinho...Como se os dois nascêssemos irmãos,Aves cantando, ao sol, no mesmo ninho...

Beija-mas bem!... Que fantasia loucaGuardar assim, fechados, nestas mãosOs beijos que sonhei pra minha boca!...