E não sou de ninguém... Quem me quiser

Florbela Espanca (1894–1930)

E não sou de ninguém... Quem me quiserHá de ser luz do sol em tardes quentes,Nos olhos de água clara há de trazerAs fúlgidas pupilas das videntes!

Há de ser seiva no botão repletoVoz no murmúrio do pequeno inseto,Vento que enfuna as velas sobre os mastros!...

Há de ser Outro e Outro num momento!Força viva, brutal, em movimento,Astro arrastando catadupas de astros!