Pequenina (Florbela Espanca)

Florbela Espanca (1894–1930)

À Maria Helena Falcão Risques

És pequenina e ris... A boca breveÉ um pequeno idílio cor-de-rosa...Haste de lírio frágil e mimosa!Cofre de beijos feito sonho e neve!

Doce quimera que a nossa alma deveAo Céu que assim te faz tão graciosa!Que nesta vida amarga e tormentosaTe fez nascer como um perfume leve!

O ver o teu olhar faz bem à gente...E cheira e sabe, a nossa boca, a floresQuando o teu nome diz, suavemente...

Pequenina que a Mãe de Deus sonhou,Que ela afaste de ti aquelas doresQue fizeram de mim isto que sou!