Princesa Desalento

Florbela Espanca (1894–1930)

Minh'alma é a Princesa Desalento,Como um Poeta lhe chamou, um dia.É revoltada, trágica, sombria,Como galopes infernais de vento!

É frágil como o sonho dum momento,Soturna como preces de agonia,Vive do riso duma boca fria!Minh'alma é a Princesa Desalento...

Altas horas da noite ela vagueia...E ao luar suavíssimo, que anseia,Põe-se a falar de tanta coisa morta!

O luar ouve a minh'alma, ajoelhado,E vai traçar, fantástico e gelado,A sombra duma cruz à tua porta...