Último sonho de "sóror saudade"

Florbela Espanca (1894–1930)

Àquele que se perdera no caminho...

Sóror Saudade abriu a sua cela...E, num encanto que ninguém traduz,Despiu o manto negro que era dela,Seu vestido de noiva de Jesus.

E a noite escura, extasiada ao vê-la,As brancas mãos no peito quase em cruz,Teve um brilhar feérico de estrelaQue se esfolhasse em pétalas de luz!

Sóror Saudade olhou... Que olhar profundoQue sonha e espera?... Ah! como é feio o mundo.E os homens vãos! - Então, devagarinho,

Sóror Saudade entrou no seu convento...E, até morrer, rezou, sem um lamento,Por Um que se perdera no caminho!...