Sob a copa frondosa e recurvada

Luís Gama (1830–1882)

Sob a copa frondoza e recurvadaDe enorme gamelleira, Secular,Sentado n’uma úfa a se embalarEstava certa moça enamorada.

Eis que róla dos ramos inflammadaTremenda jararaca a sibilar;Fica a joven na corda, sem parar,Como a Nympha de amor electrisada!

Anjo Bento! exclamaram os circunstantes—Foje a cobra de horrenda catadura,Os olhos revolvendo coruscantes.

Mas a bella moçoila com frescuraN’um sorriso accrescenta—é das amantesNem das serpes temer a picadura.