Despois que vio Cibele o corpo humano

Luís de Camões (1524–1580)

Despois que vio Cibele o corpo humanoDo formoso Atys seu verde pinheiro,Em piedade o vão furor primeiroConvertido, chorava o grave dano.

E, á sua dor fazendo illustre engano,A Jupiter pedio, que o verdadeiroPreço da nobre palma e do loureiroAo seu pinheiro désse, soberano.

Mais lhe concede o filho poderosoQue, crescendo, as estrellas tocar possa,Vendo os segredos lá do ceo superno.

Oh ditoso pinheiro! oh mais ditosoQuem se vir coroar da rama vossa,Cantando á vossa sombra verso eterno!