Hum mover de olhos, brando e piedoso

Luís de Camões (1524–1580)

Hum mover de olhos, brando e piedoso,Sem ver de que; hum riso brando e honesto,Quasi forçado; hum doce e humilde gesto,De qualquer alegria duvidoso:

Hum despejo quieto e vergonhoso;Hum repouso gravissimo e modesto;Huma pura bondade, manifestoIndicio da alma, limpo e gracioso:

Hum encolhido ousar; huma brandura;Hum medo sem ter culpa; hum ar sereno;Hum longo e obediente soffrimento:

Esta foi a celeste formosuraDa minha Circe, e o magico venenoQue pôde transformar meu pensamento